ENTREVISTA COM O PRIMEIRO ESTRANGEIRO CAMPEÃO FEDERADO, PROFESSOR E LUTADOR DE JIU-JITSU MARCELO PALAZZO

27/05/2019

Primeiro Uruguaio e estrangeiro Campeão Estadual do Rio de Janeiro
Um papo sobre conquistas, profissão, carreira e família

Como surgiu seu interesse pelo esporte?
MP:
Desde criança pratico esportes e iniciei na luta com o Taekwondo quando ainda morava na Argentina. Na adolescência, quando vim para o Brasil iniciei primeiramente no Judô quando descobri a paixão pelo jiu-jitsu. A partir daí iniciei uma história de amor e conquistas pela arte.

Qual a origem desse estilo de luta e quais as maiores referências no Brasil e no mundo?
MP:
O jiu-jtsu é a arte marcial mais antiga do mundo. Surgiu na Índia antes de Cristo, passou pela China, Japão e chegou ao Brasil. A arte suave, significado de jiu-jtsu em japonês, passou a ser conhecida no mundo quando a família Gracie transformou o jiu-jitsu para a forma que é hoje o Brazilian Jiu-Jitsu. Considerada pelos estudiosos e especialistas em luta, como a mais completa arte marcial do planeta, o jiu-jitsu tem no Brasil o maior berço de atletas do mundo nessa modalidade.

Quando surgiu a vontade de ser professor (coach)?
MP:
Quando era faixa marrom já ajuda no tatame e percebi que poderia contribuir como professor, auxiliando a disseminar essa arte pelo mundo. Passei por um projeto social, auxiliando crianças carentes, e a partir daí essa paixão cresceu ainda mais. Isso foi sendo consolidado conforme me graduava, chegando agora ao quarto grau.

Em que momento começou a participar de campeonatos importantes de jiu-jitsu?
MP:
Já era pai do meu primeiro filho e fui em busca de novos desafios. Os campeonatos começaram como um estímulo extra e no intuito de deixar um legado aos meus descendentes. Participar de cada novo campeonato é uma forma de buscar minha própria evolução no esporte e estimular as pessoas a irem em busca de novas conquistas sempre, fugindo da estagnação.

Você além de atleta é professor (coach). Sente o peso de ser o primeiro estrangeiro campeão dessa modalidade quando está no tatame com seus alunos? É muito cobrado por isso?
MP:
No tatame todos somos iguais. Existe uma hierarquia e o respeito pela faixa e conquistas, mas sem comprometer o objetivo de treinar e melhorar a performance de todos que estão ali juntos. O Jiu-jitsu é muito unido, como uma grande família, que busca o crescimento de todos dentro e fora do tatame. A cobrança pode existir mas não sinto nenhum peso sobre isso.

Gosta de dar aulas para crianças? O que acha sobre o jiu-jitsu na infância?
MP:
Iniciei como professor (coach) de crianças com o projeto social. Ali adquiri uma paixão, que é ensinar essa arte suave aos pequenos. É extremamente motivante para mim ver a descoberta do esporte no mundo infantil e a evolução dos pequenos. Quando o jiu-jitsu é ensinado na infância estimula nos pequenos o respeito, a auto-confiança e disciplina, e isso serve para a vida toda.

Teve apoio da família na prática do esporte e na profissão?
MP:
Apesar de todas as dificuldades da vida e da criação dos filhos, sempre nos mantivemos unidos. O jiu-jitsu sempre foi uma inspiração e motivação dentro da minha família. Sou pai de três meninos que desde cedo recebem a influência dessa arte. Cresceram tendo um pai apaixonado pelo Jiu-jitsu e, de forma natural, o interesse pela luta apareceu neles desde muito cedo.

Nas competições fazia algum tipo de ritual? Como era sua preparação?
MP:
Procurava dormir bem e me alimentar o mais saudável possível. Mas não fazia nada radical nas minhas preparações.

Que conselhos daria ao atleta que deseja se tornar professor?
MP:
É preciso humildade e perseverar sempre. Um coach deve buscar ensinar aos seus alunos respeito e disciplina dentro e fora do tatame, além da técnica. Se colocar no lugar do outro, buscando a evolução natural da sua técnica e de seus companheiros. Esse é o conselho que deixo registrado aqui.