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Obesidade abdominal combinada com perda de força muscular é importante fator de risco para mortalidade em idosos

14/10/2017 | Visualizações: 12489
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Constatação é fruto de pesquisas conduzidas por docente da UFSCar com idosos brasileiros e ingleses
O aumento da expectativa de vida tem garantido mais longevidade para a população mundial. No Brasil não é diferente e as pessoas estão vivendo, em média, 76 anos o que representa um aumento de 30 anos em relação à expectativa de vida prevista na década de 1940. Diante desse cenário, várias pesquisas buscam a manutenção da qualidade de vida da população idosa. Na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), estudos se dedicam, por exemplo, a avaliar os riscos que a obesidade abdominal somada às perdas de massa e de força muscular podem oferecer aos idosos.
A sarcopenia (perda de massa muscular) e a dinapenia (perda de for√ßa muscular) s√£o quadros que podem ocorrer durante o processo de envelhecimento e que demandam aten√ß√£o no contexto de sa√ļde dos idosos, principalmente quando associados √† obesidade abdominal. Dois trabalhos realizados pelo professor Tiago da Silva Alexandre, do Departamento de Gerontologia (DGero) da UFSCar, com parceiros canadenses e ingleses, apresentaram resultados importantes que colocam a obesidade dinap√™nica - gordura abdominal mais perda de for√ßa muscular - como um importante fator de risco para a sa√ļde do idoso e at√© para a mortalidade dessa popula√ß√£o.

O primeiro estudo foi realizado utilizando dados do projeto Sa√ļde, Bem estar e Envelhecimento (Sabe) que, desde 2000, √© realizado com apoio da Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde, Minist√©rio da Sa√ļde e da Funda√ß√£o de Amparo √† Pesquisa do Estado de S√£o Paulo (Fapesp). O projeto acompanha idosos da capital paulista a cada cinco anos e re√ļne dados epidemiol√≥gicos dessa popula√ß√£o. A partir desses dados, o trabalho na UFSCar constatou que a obesidade abdominal, somada √† perda de for√ßa muscular, est√£o associadas a dist√ļrbios de lip√≠deos e carboidratos no metabolismo, s√≠ndrome metab√≥lica e doen√ßas card√≠acas.

O pesquisador explica que o fundamental em rela√ß√£o √† sa√ļde dos idosos √© manter a funcionalidade, ou seja, permitir que eles possam realizar as atividades di√°rias, tenham autonomia e, portanto, mais qualidade de vida. Ele avalia que, nesse contexto, "a dinapenia mostrou-se como uma medida mais poderosa que a sarcopenia para investigar desfechos negativos em idosos, como interna√ß√Ķes, hospitaliza√ß√£o precoce, quedas, perda de mobilidade e at√© mortalidade". Al√©m disso, ele afirma que √† medida que a pessoa envelhece, a massa muscular perdida √© substitu√≠da por gordura que se distribui para todo o corpo. A concentra√ß√£o dessa gordura na regi√£o abdominal √© mais prejudicial e contribui para a perda de for√ßa. "Isso contraria o que se achava anteriormente, que a pessoa mais ‚Äėgordinha‚Äô era mais forte. Nossos estudos mostram que isso n√£o √© real", relata Alexandre.
A partir dos resultados levantados no primeiro estudo, o docente da UFSCar, durante seu p√≥s-doutorado na University College London, na Inglaterra, iniciou uma segunda pesquisa com dados do pr√≥prio Sabe e do English Longitudinal Study of Ageing (Elsa), que faz levantamentos  epidemiol√≥gicos com idosos ingleses. O trabalho, apoiado pela Fapesp, reuniu as duas bases para levantar informa√ß√Ķes comparativas e pesquisar a obesidade dinap√™nica como fator de risco tamb√©m para a mortalidade. Foram analisados idosos acompanhados durante 10 anos pelo Sabe (entre 2000 e 2010) e pelo Elsa (entre 2002 e 2012).

Para realizar essa segunda pesquisa foram isolados outros fatores que tamb√©m poderiam aumentar o risco de mortalidade entre os idosos pesquisados, como o tabagismo, doen√ßas card√≠acas, situa√ß√£o socioecon√īmica, dentre outras. "Exclu√≠mos todas as condi√ß√Ķes que poderiam confundir nossos resultados e a obesidade dinap√™nica se confirmou como fator de risco para a mortalidade", destaca Alexandre.

Outra constata√ß√£o importante foi que o √ćndice de Massa Corporal (IMC) n√£o √© o melhor indicador para avalia√ß√£o cl√≠nica de pacientes, idosos ou n√£o. "O IMC s√≥ nos d√° uma rela√ß√£o entre peso e medida, mas ele n√£o define o que √© massa e o que √© gordura no corpo. √Č mais indicado usar a circunfer√™ncia abdominal e a for√ßa das m√£os para avaliar os riscos de incapacidade e morte", revela o pesquisador da UFSCar, refor√ßando que o idoso que tem circunfer√™ncia abdominal alta (maior que 102 cm para homens e 88 cm para mulheres) e pouca for√ßa √© um paciente de risco.
Tiago Alexandre afirma que os resultados s√£o muito semelhantes entre os idosos brasileiros e ingleses. "Independente de algumas diferen√ßas na composi√ß√£o corporal das popula√ß√Ķes dos dois pa√≠ses e quest√Ķes relacionadas √† preval√™ncia e controle de doen√ßas, os resultados comprovam que a obesidade dinap√™nica √© um fator de risco para a mortalidade. Isso foi comprovado nas duas pesquisas que fizemos com grandes grupos populacionais tanto no Brasil quanto na Inglaterra", refor√ßa o docente. Nos dois estudos foram acompanhados mais de sete mil idosos.

De acordo com o professor, os resultados podem ser aplicados na rede de aten√ß√£o b√°sica de sa√ļde, j√° que a medi√ß√£o da for√ßa e da circunfer√™ncia abdominal √© f√°cil e r√°pida de se executar e podem ajudar agentes de sa√ļde e m√©dicos na triagem dos pacientes e na conduta terap√™utica. Alexandre acredita tamb√©m que essas informa√ß√Ķes podem ser usadas dentro dos consult√≥rios para que os m√©dicos compreendam a evolu√ß√£o do quadro dos seus pacientes e definam condutas adequadas para o tratamento.

Recentemente, dois artigos sobre os estudos realizados pelo docente da UFSCar e parceiros estrangeiros foram publicados em revistas internacionalmente reconhecidas na √°rea de Nutri√ß√£o - Journal Clinical Nutrition e The Journal of Nutrition Health anda Aging. "Essas publica√ß√Ķes refor√ßam a import√Ęncia das nossas pesquisas e das parcerias e nos mostram que estamos no caminho certo, realizando estudos de qualidade e aceitos pela comunidade cient√≠fica", conclui Tiago Alexandre.

Junto a essas parcerias, o professor acrescenta que foi estabelecido um conv√™nio entre a UFSCar e a University College London, que prev√™ o interc√Ęmbio de p√≥s-graduandos para o desenvolvimento de pesquisas nas duas institui√ß√Ķes.


 
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